Em resumo: A aceitação técnica de projetos audiovisuais se apoia em dois padrões ANSI/AVIXA: o D402.02:2013 (R2024), antigo ANSI/INFOCOMM 10:2013, de verificação de desempenho de sistemas AV, e o A102.01:2022, de uniformidade de cobertura de áudio. Atenção à sigla: V202, muitas vezes citada em editais como padrão de verificação, designa o padrão de dimensionamento de imagem (DISCAS). No Brasil não são normas ABNT, mas podem ser referenciadas como critério técnico em termos de referência, desde que citadas com código, edição e ano e justificadas no estudo técnico preliminar. Este guia mostra como escalonar a verificação em três níveis (V0/V1/V2), amarrá-la ao FAT/SAT e redigir cláusulas auditáveis para licitação federal.

Quando um órgão público recebe um sistema audiovisual integrado — videowall, plenária, sala de controle, auditório — a pergunta que normalmente trava o aceite é simples: como provar, de forma objetiva, que o sistema atende ao que foi contratado? Ou, do ponto de vista do integrador: quais critérios de aceitação preciso atingir para que o pagamento seja liberado?

Em ambos os lados, a resposta passa por padrões técnicos reconhecidos. E a referência internacional consolidada para AV é o conjunto de normas ANSI/AVIXA — em especial o D402.02:2013 (R2024) (verificação de desempenho de sistemas) e o A102.01:2022 (cobertura uniforme de áudio).

Na Netfocus, aplicamos esses padrões em projetos de integração audiovisual para órgãos federais e apoiamos áreas técnicas na redação de critérios de aceitação objetivos, mensuráveis e defensáveis perante o controle interno.

O que é a AVIXA e por que os padrões ANSI/AVIXA importam

A AVIXA — Audiovisual and Integrated Experience Association — é a entidade internacional que congrega fabricantes, integradores e profissionais do setor audiovisual. Anteriormente conhecida como InfoComm International, adotou o nome atual em 2017, mantendo décadas de atuação em padronização técnica e certificação profissional.

Os padrões com a sigla ANSI/AVIXA têm um diferencial relevante: são aprovados pelo ANSI (American National Standards Institute), organismo americano com papel análogo ao da ABNT no Brasil. Isso significa que passaram por processo formal de consenso entre fabricantes, integradores, consultores e usuários finais, com revisão pública e cíclica.

Por que isso importa para o gestor público brasileiro

Embora o Brasil não tenha normas ABNT específicas para verificação de sistemas AV, três fatores tornam os padrões ANSI/AVIXA referência prática:

  • Reconhecimento internacional — são referência comum entre projetistas, integradores e fabricantes do setor;
  • Critérios objetivos — os padrões definem métricas, instrumentação e procedimentos de teste, eliminando a subjetividade do "funciona bem";
  • Compatibilidade com a Lei 14.133/2021 — a referência a normas técnicas reconhecidas é prática consolidada em editais, desde que a exigência esteja justificada no estudo técnico preliminar e não restrinja indevidamente a competição.

ANSI/AVIXA D402.02:2013 (R2024) — AV Systems Performance Verification

O D402.02:2013 (R2024) é o padrão central para verificação de desempenho de sistemas AV instalados. É o antigo ANSI/INFOCOMM 10:2013 — Audiovisual Systems Performance Verification, reafirmado pela AVIXA em 2024 sob a nova designação: editais e contratos que citam o 10:2013 apontam, portanto, para o mesmo conteúdo técnico.

Atenção à sigla V202. Em muitos editais, o padrão de verificação aparece como "V202" — designação que, na lista oficial da AVIXA, pertence ao padrão de dimensionamento de imagem (DISCAS), apresentado mais adiante. Citar "V202" para verificação aponta para o documento errado e abre espaço para impugnação.

Escopo do D402.02

O padrão define uma estrutura e processos de verificação aplicáveis a qualquer sistema AV — independentemente de fabricante, porte ou complexidade. Ele estabelece:

  • Quais elementos do sistema precisam ser verificados;
  • Em que momento do ciclo de entrega do projeto cada verificação ocorre;
  • Como definir os critérios e as métricas de verificação;
  • Como reportar os resultados (registro, evidências, relatório).

Na prática, o padrão funciona como um catálogo de itens verificáveis, organizados por categoria de sistema e por fase do projeto. O contratante seleciona os itens aplicáveis ao seu sistema e os transforma em critérios de aceitação com valor-alvo e método de medição definidos.

Os três níveis de verificação: V0, V1 e V2

O padrão não prescreve um único grau de profundidade: cabe ao contratante definir quais itens verificar e com que rigor. Uma forma prática de escalonar essa decisão — que adotamos em projetos e recomendamos em termos de referência — é estratificar a verificação em três níveis, aqui chamados V0, V1 e V2, ajustados ao porte, à criticidade e ao orçamento do projeto. A nomenclatura é uma convenção de projeto, não uma classificação do padrão; por isso, o termo de referência deve descrever explicitamente o que cada nível inclui.

Nível V0 — Verificação básica funcional

Inspeção visual e teste funcional. Confirma que o sistema liga, opera nas funções principais, os sinais chegam aos destinos previstos e a interface de usuário responde. Não exige instrumentação especializada. Adequado para sistemas simples, com baixa criticidade — salas de reunião padrão, displays informativos, projetores em salas de aula.

Nível V1 — Verificação intermediária com instrumentação

Soma ao V0 a medição instrumentada de parâmetros-chave: nível de sinal, latência, qualidade de imagem básica, cobertura de áudio. Exige instrumentação calibrada — analisador de áudio, padrão de teste de vídeo, medidor de pressão sonora. Adequado para a maioria dos projetos de médio porte: auditórios padrão, salas multiuso, estúdios pequenos.

Nível V2 — Verificação detalhada com documentação completa

Soma ao V1 a medição abrangente, com instrumentação de alta precisão e documentação completa: STIPA por ponto de medição, RT60 por banda de oitava, análise de cobertura de áudio em malha, calibração colorimétrica de displays (ΔE), análise de latência fim a fim, vazão de rede AV. Adequado para projetos de missão crítica — plenárias legislativas, salas de controle, centros de operação, estúdios profissionais.

A escolha do nível deve constar do termo de referência. Em geral, V1 atende à maioria dos projetos federais, e V2 fica reservado a ambientes onde a degradação operacional tem alto impacto institucional ou financeiro.

ANSI/AVIXA A102.01:2022 — Audio Coverage Uniformity in Listener Areas

O A102.01:2022, edição que substituiu a de 2017, trata especificamente da uniformidade de cobertura de áudio em áreas de audiência — uma métrica crítica para auditórios, plenárias, salas de aula e qualquer espaço onde múltiplos ouvintes precisam receber o sinal sonoro de forma consistente.

O problema que o A102 resolve

Em um ambiente com múltiplas caixas acústicas e múltiplos ouvintes, é comum que diferentes pontos da plateia recebam níveis sonoros bastante diferentes. Quem está embaixo de uma caixa ouve alto demais; quem está em zona de sombra ouve baixo demais. O resultado é desconforto, perda de inteligibilidade e ajustes constantes de volume durante a operação.

O A102 estabelece um procedimento para medir e classificar a uniformidade da energia sonora que chega primeiro ao ouvinte (early arriving energy) ao longo da área de audiência, criando uma métrica auditável: a uniformidade de cobertura, expressa como variação (em dB) entre pontos da área de audiência.

Como a medição é feita

Em linhas gerais, o procedimento envolve:

  • Definir a área de audiência — região onde os ouvintes efetivamente estarão posicionados;
  • Estabelecer malha de medição — pontos distribuídos em grade regular, tipicamente com espaçamento de 1 a 3 metros;
  • Emitir sinal de teste — ruído rosa ou sinal específico de banda larga, em nível controlado;
  • Medir o nível em cada ponto — com instrumentação calibrada, seguindo o método do padrão para considerar a energia de chegada inicial;
  • Calcular variação — diferença entre o ponto de maior e o de menor nível, em dB.

Critérios típicos de aceitação

Para a maioria dos ambientes de fala (auditórios, salas de aula, plenárias), uma variação máxima de ±3 dB dentro da área de audiência é um alvo exigente; ±6 dB é comumente aceito. Esses valores são referências usuais de projeto. O A102 define o procedimento de medição e uma classificação de desempenho; cabe ao termo de referência indicar a classe ou o limite exigido, conferidos na edição vigente do padrão. Para ambientes de música, os critérios costumam ser mais rigorosos.

Cobertura uniforme não garante inteligibilidade: um auditório reverberante pode apresentar ±3 dB de variação e ainda assim fala incompreensível. Por isso, o A102 costuma ser combinado com as métricas de RT60, STIPA e NC no mesmo relatório de verificação, e o projeto de áudio profissional para auditórios precisa tratar caixas, DSP e tratamento acústico como um sistema único.

Outros padrões AVIXA relevantes

Além do D402.02 e do A102, vale conhecer três documentos adicionais que aparecem em projetos AV de médio e grande porte.

AVIXA S601.01:2021 — Energy Management for Audiovisual Systems

Sucessor do antigo ANSI/INFOCOMM 4:2012, trata do gerenciamento de energia em sistemas AV — modos de operação, automação de desligamento e monitoramento de consumo. É relevante para projetos com requisitos de sustentabilidade ou para órgãos com metas de eficiência energética.

ANSI/AVIXA V202.01:2026 — Display Image Size for 2D Content

É o padrão que carrega a designação V202: estabelece o tamanho de imagem e as posições de visualização a partir do conteúdo exibido e do tipo de tarefa do observador — decisão básica ou analítica. Não trata de verificação de desempenho, mas é a referência adequada para dimensionar telas e videowalls no termo de referência, com o método detalhado em dimensionamento de telas pelo DISCAS.

ANSI/AVIXA D401.01:2023 — Documentation Requirements for Audiovisual Systems

Sucessor do antigo ANSI/INFOCOMM 2M-2010, define uma estrutura para determinar a documentação de um projeto AV: quais documentos são exigidos, quem é responsável por produzi-los e como acompanhar sua entrega. Útil como referência para estruturar a lista de entregáveis em propostas técnicas e em planos de execução de projeto.

Atenção: Cite os padrões pelo código completo, com edição e ano — exemplo: "ANSI/AVIXA A102.01:2022" — e confira a designação na lista oficial de padrões publicados da AVIXA antes de publicar o edital. Citações genéricas como "padrões AVIXA" são insuficientes em contexto contratual e podem gerar disputa de interpretação no recebimento.

Como referenciar AVIXA em termo de referência brasileiro

Não existe tradução oficial dos padrões ANSI/AVIXA para o português brasileiro, e isso gera dúvida em muitos órgãos sobre como referenciá-los em editais. A prática consolidada é citar o padrão pelo código completo — código + versão + ano — e tratá-lo como referência técnica internacional reconhecida, sem necessidade de tradução juramentada. A referência deve vir acompanhada de justificativa no estudo técnico preliminar, explicando por que o padrão é adequado ao objeto: é essa justificativa, mais do que a citação em si, que sustenta a exigência perante o controle interno.

Modelo de cláusula para termo de referência

Uma redação de partida, a adaptar ao objeto:

"O sistema audiovisual deverá atender aos padrões internacionais ANSI/AVIXA D402.02:2013 (R2024) (AV Systems Performance Verification, antigo ANSI/INFOCOMM 10:2013), nível de verificação V1 conforme escopo detalhado em anexo, e ANSI/AVIXA A102.01:2022 (Audio Coverage Uniformity in Listener Areas), com variação máxima de ±3 dB dentro da área de audiência. A verificação deverá ser executada pela contratada e documentada em relatório técnico, com evidências de medição, como condição do recebimento provisório."

Pontos de atenção na redação

  • Especifique o nível de verificação — V0, V1 ou V2 — e descreva em anexo quais itens e métricas ele inclui, para evitar interpretação ampla;
  • Vincule ao recebimento — provisório e definitivo — para criar trilha contratual;
  • Exija relatório técnico documentado — com instrumentação, condições, resultados;
  • Permita instrumentação equivalente — não fixe marca de instrumento, apenas precisão mínima e certificado de calibração válido.

A cláusula de verificação é uma peça do termo de referência AV, não um documento à parte: ela precisa dialogar com a matriz de riscos, o cronograma físico-financeiro e o regime de recebimento previstos na Lei 14.133/2021 aplicada à contratação audiovisual.

Verificação V0 vs V1 vs V2: o que cabe em cada projeto

A escolha do nível de verificação tem impacto direto em prazo, custo e robustez do aceite. A tabela abaixo orienta a decisão.

AtributoV0 — BásicaV1 — IntermediáriaV2 — Detalhada
EscopoInspeção visual e teste funcionalSoma medição instrumentada de parâmetros-chaveSoma medição abrangente com alta precisão
InstrumentaçãoNão exigeAnalisador de áudio, padrão de vídeo, medidor de SPLSTIPA, RT60 por oitava, colorimetria, análise de rede AV
DocumentaçãoChecklist visualRelatório com medições principaisRelatório técnico completo com evidências
Custo relativoBaixo (referência)IntermediárioAlto
Prazo típicoHorasDiasDias a semanas, conforme o porte
Caso de uso típicoSalas de reunião padrão, displays informativos, salas de aulaAuditórios médios, salas multiuso, estúdios pequenosPlenárias, salas de controle, centros de operação, estúdios profissionais
Adequação para missão críticaNãoLimitadaSim

Custos e prazos são ordens de grandeza: variam com o porte do sistema, o número de pontos de medição e a disponibilidade de instrumentação. Use-os para dimensionar o orçamento e o cronograma do órgão, não como valores contratuais.

A regra prática: V1 é o nível padrão para projetos federais de médio porte. V2 entra quando o ambiente é de missão crítica ou quando o contrato é grande o suficiente para que o custo da verificação detalhada seja proporcionalmente pequeno.

Como a verificação D402.02 se conecta ao FAT/SAT

Há sobreposição conceitual entre a verificação de desempenho do D402.02 e o processo de comissionamento FAT/SAT, e entender essa relação evita redundância no edital.

O padrão é a base técnica; FAT/SAT é o trilho contratual

O D402.02 define o que verificar, em que fase do projeto e com que critérios e forma de registro. O FAT/SAT define onde a verificação acontece — em fábrica/bancada (FAT) ou no ambiente final (SAT) — e como amarrá-la ao cronograma de pagamento.

Combinação prática

Em editais maduros, a estrutura típica é:

  • FAT — verificação V1 ou V2 do sistema integrado em bancada do integrador, antes do envio;
  • SAT — verificação V1 ou V2 completa no ambiente final, após instalação;
  • Aceite provisório — vinculado ao SAT bem-sucedido, com registro fotográfico e relatório técnico;
  • Aceite definitivo — após período de observação operacional, com prazo e método definidos no contrato ou em regulamento, como prevê a Lei 14.133/2021.

Essa combinação cria robustez contratual e protege o órgão do retrabalho descoberto tarde no ciclo. O detalhamento de prazos, responsáveis e efeitos de cada etapa está em recebimento provisório e definitivo em contratos AV.

Cenário hipotético: auditório de 300 lugares em órgão federal

Imagine um órgão federal em Brasília que vai contratar a modernização de um auditório de 300 lugares: sistema de som distribuído, projeção principal, dois displays de apoio, videoconferência e gravação de sessões. Orçamento na casa dos milhões de reais (ordem de grandeza, a depender do escopo), uso semanal para eventos institucionais e transmissões ocasionais ao vivo.

Escolha do nível. Não é uma sala de controle nem uma plenária com votação; uma falha tem impacto reputacional, mas não paralisa a operação do órgão. V1 é o nível adequado para o sistema como um todo, com um item V2 pontual: cobertura de áudio medida em malha completa, porque a inteligibilidade é o requisito central de um auditório.

Redação. O termo de referência cita o D402.02:2013 (R2024) no nível V1, com anexo listando os itens verificáveis por subsistema, e o A102.01:2022 com variação máxima de ±6 dB na área de audiência — alvo realista para um auditório existente, com forro e poltronas já definidos — e ±3 dB como meta desejável, não eliminatória.

Ciclo de verificação. FAT em bancada do integrador para o núcleo de processamento (DSP, matriz de vídeo, controle), SAT completo após a instalação, relatório técnico com evidências como condição do recebimento provisório e período de observação operacional antes do definitivo.

O que o órgão ganha. Um critério de aceite que o fiscal consegue aplicar sem ser especialista em áudio: a malha de medição e os valores de SPL estão no relatório, os limites estão no termo de referência, e a decisão vira comparação objetiva — não opinião. Se a cobertura ficar fora do limite, o integrador ajusta ângulos, atrasos e equalização antes do pagamento, não depois.

Esse mesmo raciocínio se aplica, com níveis diferentes, a plenárias e auditórios de maior porte: quanto maior a criticidade, mais itens migram de V1 para V2.

Erros comuns ao tentar aplicar padrões AVIXA no Brasil

Acompanhando editais federais com referência a padrões AVIXA, observamos quatro erros recorrentes.

1. Copiar trechos de padrão sem entender o contexto

Editais que copiam parágrafos do padrão de verificação sem definir nível (V0/V1/V2) e sem listar os itens aplicáveis deixam uma ambiguidade que é explorada no recebimento. Sempre defina o nível e o escopo aplicável.

2. Exigir certificações que ninguém tem localmente

Exigir CTS, CTS-D ou CTS-I para todos os profissionais alocados pode restringir indevidamente a competição. A prática equilibrada é exigir certificação para o responsável técnico e qualificação demonstrada para o restante da equipe.

3. Citar designação errada ou edição superada

O caso mais frequente é chamar o padrão de verificação de "V202", designação do padrão de dimensionamento de imagem; a verificação está no D402.02:2013 (R2024), o antigo 10:2013. Também aparecem edições superadas, como o A102.01:2017 (substituído pela edição de 2022) e o 2M-2010 (sucedido pelo D401.01:2023). Antes de publicar, confira código, edição e título na lista oficial de padrões da AVIXA.

4. Misturar referência a padrão com prescrição de marca

Citar AVIXA é boa prática; citar AVIXA junto a marca específica de equipamento sem justificativa técnica documentada é direcionamento, e gera impugnação. Use o padrão como referência de desempenho, não como justificativa para fabricante específico — a técnica de especificar sem marca, por requisitos mensuráveis, é justamente o que os padrões AVIXA viabilizam.

Checklist: o que o fiscal deve exigir no relatório de verificação

O relatório de verificação é a evidência que sustenta o recebimento. Independentemente do nível contratado, o fiscal técnico do contrato deve conferir se o documento contém:

  • Identificação do padrão e do nível — código, versão, ano e a lista de itens verificados, cruzada com o anexo do termo de referência;
  • Condições de medição — data, horário, ocupação da sala, estado da climatização e da iluminação, ruído de fundo registrado;
  • Instrumentação — tipo de instrumento, precisão declarada e certificado de calibração dentro da validade;
  • Malha de medição — planta com os pontos numerados e o valor obtido em cada um, não apenas a média;
  • Resultado por critério — valor medido, limite contratual e situação (atende / não atende), sem juízo qualitativo;
  • Não conformidades e plano de correção — o que falhou, o que será ajustado e a data da nova medição;
  • Assinatura do responsável técnico — com identificação e, quando exigido no termo de referência, a certificação profissional.

Relatório que traz apenas "sistema testado e aprovado", sem valores, não atende a nenhum nível de verificação — nem ao V0, que exige ao menos o registro do que foi inspecionado e do resultado de cada função testada.

Quando contratar verificação independente

A verificação de desempenho pode ser executada pela própria contratada (autoverificação) ou por terceiro independente. Em quatro situações, a verificação independente vale o custo adicional.

Projetos de missão crítica

Plenárias legislativas, salas de controle, centros de operação. Onde uma falha operacional tem alto impacto institucional, o investimento em verificação independente é proporcionalmente pequeno.

Entregas de grande porte

Contratos de integração AV de grande porte — na casa dos milhões de reais, a depender do escopo. Nesses casos, o custo da verificação independente tende a representar fração pequena do valor contratado e protege o órgão de retrabalho oneroso.

Exigência do controle interno

Auditorias internas ou recomendações de órgãos de controle podem prescrever verificação independente como requisito de aceitação. Antecipar essa exigência no edital simplifica a execução.

Conflito potencial entre integrador e órgão

Quando há histórico de disputa contratual, a verificação independente cria um ponto neutro de aferição técnica e reduz a judicialização.

Padrões AVIXA não substituem projeto nem fiscalização: eles dão ao órgão uma régua comum para medir o que foi entregue. A diferença entre um edital que os cita e um edital que os aplica está no detalhe — nível definido, itens listados, valores-alvo no termo de referência e relatório com evidências como condição de pagamento.

Quer especificar conformidade AVIXA no seu termo de referência?

A Netfocus aplica padrões ANSI/AVIXA em projetos para órgãos federais. Apoiamos a redação de critérios de aceitação objetivos e auditáveis no termo de referência. Diagnóstico em 24h.

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Perguntas frequentes

Padrões ANSI/AVIXA têm validade no Brasil?

Não são normas brasileiras (ABNT), mas podem ser referenciadas em editais e termos de referência como referência técnica internacional reconhecida, prática compatível com a Lei 14.133/2021. A exigência precisa ser justificada no estudo técnico preliminar, citada com precisão (código, versão, ano) e proporcional ao objeto, para não restringir indevidamente a competição.

Posso exigir certificação CTS dos profissionais em licitação?

Sim, com justificativa técnica adequada e proporcional ao objeto. Exigir CTS para o responsável técnico é prática equilibrada; exigir para todos os profissionais alocados pode restringir indevidamente a competição e gerar impugnação. Use complementarmente a comprovação de qualificação por experiência, com atestados de serviços similares.

Verificação V2 sempre vale a pena?

Não. V2 é significativamente mais cara e demorada que V1, porque exige instrumentação de precisão, malha completa de medição e relatório detalhado. Ela se justifica em projetos de missão crítica — plenárias, salas de controle, centros de operação. Para a maioria dos projetos federais de médio porte, V1 atende com bom equilíbrio entre robustez e custo, eventualmente com itens V2 pontuais.

Quem pode emitir verificação AVIXA?

Profissionais qualificados em sistemas AV, idealmente com certificações como CTS-I (Certified Technology Specialist — Installation) ou CTS-D (Certified Technology Specialist — Design). Em verificações independentes, é comum exigir o CTS-D pelo escopo de avaliação técnica mais amplo. O termo de referência pode aceitar, alternativamente, comprovação de experiência em comissionamento de sistemas equivalentes.

AVIXA versus ABNT: posso citar ambos?

Sim, e é recomendado quando há norma ABNT correlata. Normas ABNT de acústica de ambientes, como a que trata de níveis de pressão sonora em ambientes internos (NBR 10152), podem ser citadas junto ao A102 (cobertura) e ao D402.02 (verificação geral). Quando há sobreposição, indique no termo de referência qual prevalece em caso de conflito.

Quanto custa uma verificação V2?

Depende do porte do sistema, do número de pontos de medição e da instrumentação exigida. Como ordem de grandeza, a verificação tende a representar uma fração pequena do valor do contrato AV, e essa fração diminui conforme o contrato cresce. Em projetos críticos, o investimento se paga na redução de retrabalho e de disputas no recebimento; peça a estimativa por item verificável, não por valor global.

Padrões AVIXA cobrem cibersegurança AV?

Parcialmente. Os padrões D402.02 e A102 focam em desempenho técnico (sinal, áudio, vídeo) e não em cibersegurança de redes AV. Recomenda-se complementar com o referencial de segurança da informação da própria organização ou com normas como a ABNT NBR ISO/IEC 27001 e diretrizes setoriais de segurança, especialmente em sistemas AV sobre IP.

Onde acessar os padrões AVIXA?

No site oficial da AVIXA, na seção de padrões. As condições de acesso — gratuito ou pago, para associados ou público em geral — variam por documento e devem ser conferidas na fonte; padrões homologados pelo ANSI também podem ser adquiridos pela loja do ANSI. Para uso em editais, recomenda-se obter formalmente a versão citada e arquivá-la no processo.

Netfocus
Matheus Lourencatto — Engenharia Netfocus. Integração audiovisual para o governo federal desde 2009: 150+ projetos entregues em 50+ órgãos, SICAF ativo e SLA contratual de 4h. Fale com a engenharia →

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